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Santo André, São Paulo, Brazil
Psicóloga Clínica Suzy Mosna, Crp 06-75752. Especialista em Terapia de casal e família, relacionamentos e neuropsicóloga. Professora de Psicologia.

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Psicóloga Suzy Mosna

Terapia de Casal • Ansiedade • Autoestima • Orientação Vocacional

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

QUANDO O VILÃO NÃO USA MASCARAS - PSICÓLOGA SUZY MOSNA - TERAPIA INDIVIDUAL, CASAL E FAMÍLIA - PSICÓLOGA SANTO ANDRÉ SÃO PAULO ONLINE ONLINE ONLINE









QUANDO O VILÃO NÃO USA MÁSCARA

Narcisismo, Cinema e os Relacionamentos da Vida Real

Introdução

Existem vilões que todos reconhecem.

Eles aparecem nos filmes, nas séries, nos contos de fadas e nos romances. Costumam ter uma aparência ameaçadora, planos perversos e atitudes que deixam claro quem são. O público os identifica rapidamente. Sabe de quem deve desconfiar. Sabe quem representa o perigo.

Na vida real, porém, as coisas raramente acontecem dessa forma.

Os vilões mais difíceis de reconhecer não usam capas escuras. Não carregam armas. Não anunciam suas intenções. Muitas vezes são admirados, respeitados e até amados pelas pessoas ao seu redor.

Podem estar dentro de casa, sentados à mesa da família. Podem ocupar uma sala ao lado no trabalho. Podem ser amigos, colegas, parceiros amorosos ou até figuras públicas admiradas por milhares de pessoas.

Frequentemente, são pessoas encantadoras.

Sabem exatamente o que dizer. Demonstram segurança. Exercem fascínio. Conseguem despertar confiança com rapidez e criar a sensação de que finalmente encontramos alguém especial.

Entretanto, por trás da simpatia e do charme, pode existir uma dinâmica emocional profundamente destrutiva.

O narcisismo é um dos fenômenos psicológicos mais complexos dos relacionamentos humanos. Diferentemente do que muitos imaginam, ele não se resume à vaidade ou ao excesso de amor-próprio. Trata-se de um padrão de funcionamento emocional capaz de gerar sofrimento significativo para quem convive com pessoas excessivamente centradas em si mesmas, incapazes de reconhecer verdadeiramente as necessidades e sentimentos dos outros.

Ao longo de minha trajetória como psicóloga, tenho observado que muitas pessoas chegam ao consultório sem compreender o que está acontecendo em suas vidas. Sentem-se esgotadas emocionalmente. Perderam a confiança em si mesmas. Passaram a duvidar de suas percepções, de suas memórias e até de seu valor pessoal.

Quando começam a contar suas histórias, um elemento aparece com frequência surpreendente: a convivência prolongada com alguém que apresenta características narcisistas.

Este livro nasceu da necessidade de ampliar essa compreensão.

Nas próximas páginas, utilizaremos uma ferramenta poderosa para compreender o narcisismo: as histórias.

Os filmes, as séries, os contos de fadas e os personagens que atravessam gerações não existem apenas para entreter. Eles refletem aspectos profundos da natureza humana. Revelam conflitos emocionais, desejos, medos e padrões de comportamento que encontramos diariamente em nossa realidade.

Ao analisarmos personagens conhecidos, conseguiremos observar com maior clareza aquilo que muitas vezes passa despercebido em nossas próprias relações.

A Rainha Má de Branca de Neve. Gaston, de A Bela e a Fera. Miranda Priestly, de O Diabo Veste Prada. Cersei Lannister, de Game of Thrones. Diversos personagens carregam características que ajudam a compreender diferentes manifestações do narcisismo.

Naturalmente, nem todo personagem difícil é narcisista, assim como nem toda pessoa vaidosa apresenta um transtorno de personalidade. A psicologia exige cuidado, responsabilidade e precisão. Nosso objetivo não será rotular pessoas, mas aprender a reconhecer padrões que afetam a saúde mental e a qualidade dos relacionamentos.

Mais do que identificar comportamentos problemáticos, este livro pretende ajudar o leitor a desenvolver algo ainda mais importante: proteção emocional.

Conhecimento não serve apenas para explicar a realidade. Serve para transformá-la.

Ao compreender como funcionam as dinâmicas narcisistas, torna-se possível estabelecer limites mais saudáveis, fortalecer a autoestima, reduzir a vulnerabilidade emocional e construir relações mais equilibradas.

Porque a verdadeira questão não é apenas reconhecer o vilão.

A verdadeira questão é aprender a não entregar a ele o papel principal da nossa história.

Psicóloga Suzy Mosna
Psicóloga & Terapia de Casal







 

QUANDO O VILÃO NÃO USA MÁSCARA

Narcisismo, Cinema e os Relacionamentos da Vida Real

Introdução

Existem vilões que todos reconhecem.

Eles aparecem nos filmes, nas séries, nos contos de fadas e nos romances. Costumam ter uma aparência ameaçadora, planos perversos e atitudes que deixam claro quem são. O público os identifica rapidamente. Sabe de quem deve desconfiar. Sabe quem representa o perigo.

Na vida real, porém, as coisas raramente acontecem dessa forma.

Os vilões mais difíceis de reconhecer não usam capas escuras. Não carregam armas. Não anunciam suas intenções. Muitas vezes são admirados, respeitados e até amados pelas pessoas ao seu redor.

Podem estar dentro de casa, sentados à mesa da família. Podem ocupar uma sala ao lado no trabalho. Podem ser amigos, colegas, parceiros amorosos ou até figuras públicas admiradas por milhares de pessoas.

Frequentemente, são pessoas encantadoras.

Sabem exatamente o que dizer. Demonstram segurança. Exercem fascínio. Conseguem despertar confiança com rapidez e criar a sensação de que finalmente encontramos alguém especial.

Entretanto, por trás da simpatia e do charme, pode existir uma dinâmica emocional profundamente destrutiva.

O narcisismo é um dos fenômenos psicológicos mais complexos dos relacionamentos humanos. Diferentemente do que muitos imaginam, ele não se resume à vaidade ou ao excesso de amor-próprio. Trata-se de um padrão de funcionamento emocional capaz de gerar sofrimento significativo para quem convive com pessoas excessivamente centradas em si mesmas, incapazes de reconhecer verdadeiramente as necessidades e sentimentos dos outros.

Ao longo de minha trajetória como psicóloga, tenho observado que muitas pessoas chegam ao consultório sem compreender o que está acontecendo em suas vidas. Sentem-se esgotadas emocionalmente. Perderam a confiança em si mesmas. Passaram a duvidar de suas percepções, de suas memórias e até de seu valor pessoal.

Quando começam a contar suas histórias, um elemento aparece com frequência surpreendente: a convivência prolongada com alguém que apresenta características narcisistas.

Este livro nasceu da necessidade de ampliar essa compreensão.

Nas próximas páginas, utilizaremos uma ferramenta poderosa para compreender o narcisismo: as histórias.

Os filmes, as séries, os contos de fadas e os personagens que atravessam gerações não existem apenas para entreter. Eles refletem aspectos profundos da natureza humana. Revelam conflitos emocionais, desejos, medos e padrões de comportamento que encontramos diariamente em nossa realidade.

Ao analisarmos personagens conhecidos, conseguiremos observar com maior clareza aquilo que muitas vezes passa despercebido em nossas próprias relações.

A Rainha Má de Branca de Neve. Gaston, de A Bela e a Fera. Miranda Priestly, de O Diabo Veste Prada. Cersei Lannister, de Game of Thrones. Diversos personagens carregam características que ajudam a compreender diferentes manifestações do narcisismo.

Naturalmente, nem todo personagem difícil é narcisista, assim como nem toda pessoa vaidosa apresenta um transtorno de personalidade. A psicologia exige cuidado, responsabilidade e precisão. Nosso objetivo não será rotular pessoas, mas aprender a reconhecer padrões que afetam a saúde mental e a qualidade dos relacionamentos.

Mais do que identificar comportamentos problemáticos, este livro pretende ajudar o leitor a desenvolver algo ainda mais importante: proteção emocional.

Conhecimento não serve apenas para explicar a realidade. Serve para transformá-la.

Ao compreender como funcionam as dinâmicas narcisistas, torna-se possível estabelecer limites mais saudáveis, fortalecer a autoestima, reduzir a vulnerabilidade emocional e construir relações mais equilibradas.

Porque a verdadeira questão não é apenas reconhecer o vilão.

A verdadeira questão é aprender a não entregar a ele o papel principal da nossa história.

Psicóloga Suzy Mosna
Psicóloga & Terapia de Casal

O Vilão Que Ninguém Percebe

Se existe uma característica que torna o narcisismo tão difícil de identificar, é justamente o fato de ele raramente se apresentar de forma assustadora.

Ao contrário dos vilões do cinema, o narcisista costuma entrar na história como herói.

Quando pensamos em uma pessoa perigosa, normalmente imaginamos alguém agressivo, explosivo ou claramente hostil. É uma imagem compreensível. Desde crianças aprendemos, por meio dos contos de fadas, que os vilões costumam ser fáceis de identificar. A bruxa parece uma bruxa. O lobo parece um lobo. O monstro parece um monstro.

A vida real, entretanto, raramente segue o roteiro dos contos infantis.

As pessoas que causam os maiores danos emocionais nem sempre aparentam ser perigosas. Muitas vezes são admiradas, respeitadas e até consideradas exemplos de sucesso. Algumas ocupam posições de liderança. Outras são vistas como pessoas extremamente carismáticas. Há ainda aquelas que parecem possuir tudo aquilo que a sociedade valoriza: beleza, inteligência, confiança e poder.

Talvez seja justamente essa discrepância entre aparência e realidade que torne o narcisismo tão difícil de reconhecer.

Em sua fase inicial, a convivência com uma pessoa narcisista costuma ser agradável. Em alguns casos, pode até parecer extraordinária. O narcisista sabe causar impacto. Sabe despertar interesse. Sabe construir uma imagem capaz de atrair pessoas para sua órbita emocional.

É como acontece em muitos filmes.

O público costuma simpatizar com determinados personagens antes de descobrir quem eles realmente são. Durante boa parte da história, o encanto permanece intacto. Somente mais tarde os comportamentos manipuladores começam a aparecer.

Isso também acontece nos relacionamentos.

Poucas pessoas iniciam uma relação percebendo que estão diante de alguém emocionalmente abusivo. Pelo contrário. Frequentemente relatam que conheceram alguém extremamente atencioso, generoso, carismático e envolvente.

Essa fase costuma ser tão intensa que recebe, na literatura psicológica, o nome de love bombing, expressão utilizada para descrever uma avalanche de atenção, elogios, demonstrações de afeto e promessas de futuro.

A pessoa sente que encontrou alguém especial.

Recebe mensagens constantes.

Escuta elogios frequentes.

É colocada em um pedestal.

Sente-se valorizada como talvez nunca tenha se sentido antes.

O problema é que essa idealização costuma ser temporária.

Nenhum ser humano consegue permanecer perfeito por muito tempo.

Mais cedo ou mais tarde, surgem divergências, limitações e frustrações naturais da convivência. É nesse momento que a dinâmica narcisista começa a revelar sua verdadeira face.

O parceiro que antes elogiava passa a criticar.

A pessoa que parecia tão compreensiva torna-se fria.

A admiração dá lugar ao desprezo.

E a vítima começa a se perguntar o que fez de errado.

Essa pergunta aparece com frequência impressionante nos consultórios.

"Por que ele mudou?"

"Por que ela ficou tão diferente?"

"O que aconteceu com aquela pessoa maravilhosa que conheci?"

Na maioria das vezes, a resposta não está em uma transformação repentina.

O problema é que a pessoa encantadora apresentada no início nem sempre correspondia à realidade completa.

Em muitos casos, tratava-se de uma versão cuidadosamente construída para conquistar confiança, admiração e controle emocional.

É importante compreender que o narcisismo existe em diferentes graus.

Nem toda pessoa com traços narcisistas apresenta um transtorno de personalidade. Todos nós possuímos, em alguma medida, necessidades de reconhecimento, valorização e autoestima. Essas necessidades fazem parte da condição humana.

O problema surge quando a necessidade de admiração se torna tão intensa que passa a ocupar o centro de todas as relações.

Nesse ponto, os sentimentos dos outros deixam de ser prioridade.

A empatia diminui.

O respeito pelos limites alheios enfraquece.

E os relacionamentos passam a funcionar principalmente como fontes de validação.

O outro deixa de ser visto como uma pessoa.

Passa a ser visto como um recurso.

Um espelho.

Uma plateia.

Uma ferramenta destinada a alimentar uma necessidade emocional insaciável.

Talvez nenhuma imagem represente melhor esse fenômeno do que a famosa Rainha Má de Branca de Neve.

Durante anos, muitos enxergaram essa personagem apenas como uma mulher invejosa. No entanto, sob uma perspectiva psicológica, ela revela algo mais profundo.

Sua felicidade dependia de ser considerada a mais bela.

Sua autoestima dependia da comparação.

Sua identidade dependia da admiração.

Quando o espelho deixou de confirmar sua superioridade absoluta, ela entrou em colapso emocional.

A existência de alguém mais bonita tornou-se uma ameaça intolerável.