SOBRE MIM

Páginas

Quem sou eu

Minha foto
Santo André, São Paulo, Brazil
Psicóloga Clínica Suzy Mosna, Crp 06-75752. Especialista em Terapia de casal e família, relacionamentos e neuropsicóloga. Professora de Psicologia.

Agende sua Consulta

Psicóloga Suzy Mosna

Terapia de Casal • Ansiedade • Autoestima • Orientação Vocacional

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Suzy Mosna é escritora do Livro QUANDO O VILÃO NÃO USA MÁSCARA - PSICÓLOGA E TERAPIA DE CASAL SANTO ANDRÉ SÃO PAULO BRASIL E ONLINE


 

O CINEMA COMO ESPELHO DA MENTE HUMANA

Se quisermos compreender o narcisismo, existe um lugar surpreendentemente rico para começar: o cinema.

Os filmes não contam apenas histórias.

Eles revelam emoções, conflitos, desejos e comportamentos humanos que encontramos diariamente fora das telas.

E alguns dos personagens mais fascinantes da história do cinema carregam características narcisistas que nos ajudam a enxergar aquilo que muitas vezes passa despercebido em nossas próprias relações.

O CINEMA COMO ESPELHO DA MENTE HUMANA

Existe uma razão pela qual determinados personagens permanecem vivos em nossa memória por décadas.

Não é apenas pela qualidade do roteiro ou pela atuação dos artistas.

Muitos personagens permanecem conosco porque representam aspectos reais da natureza humana.

Quando assistimos a um filme, não estamos observando apenas uma história fictícia. Estamos observando emoções, conflitos, medos, desejos e padrões de comportamento que fazem parte da experiência humana.

O cinema funciona como um grande laboratório emocional.

Ali encontramos heróis, vítimas, salvadores, manipuladores, apaixonados, inseguros, corajosos e, naturalmente, narcisistas.

Alguns deles são tão bem construídos que parecem pessoas que já conhecemos.

Talvez porque realmente sejam.

A psicologia costuma afirmar que a arte imita a vida.

Mas a vida também aprende através da arte.

Muitas vezes, um filme nos ajuda a enxergar com clareza aquilo que não conseguimos perceber em nossos próprios relacionamentos.

É comum que alguém assista a uma determinada cena e pense:

"Meu Deus, essa pessoa se comporta exatamente como meu chefe."

Ou:

"Essa discussão parece muito com aquilo que acontece no meu casamento."

Ou ainda:

"Agora entendo por que sempre me senti culpado nessa relação."

Os filmes possuem esse poder.

Eles criam distância suficiente para que possamos observar determinadas dinâmicas emocionais sem nos sentirmos ameaçados por elas.

Por isso, ao longo deste livro, utilizaremos diversos personagens como ferramentas de compreensão psicológica.

Não para diagnosticar figuras fictícias.

Nem para transformar o entretenimento em psicopatologia.

Mas para identificar comportamentos que podem servir de alerta em nossa vida cotidiana.

Um dos primeiros personagens que merece nossa atenção é Gaston, de A Bela e a Fera.

À primeira vista, Gaston parece reunir todas as qualidades valorizadas por sua comunidade.

É bonito.

Popular.

Fisicamente forte.

Confiante.

Admirado pelos moradores da vila.

Todos acreditam que ele representa o modelo ideal de homem.

Todos, exceto Bela.

E é justamente essa rejeição que revela sua verdadeira personalidade.

Enquanto recebe admiração, Gaston parece satisfeito.

Mas quando Bela demonstra autonomia e recusa suas investidas, ele não consegue lidar com a situação.

A rejeição é vivida como uma afronta.

Uma ameaça ao próprio ego.

Em vez de respeitar a decisão da jovem, ele tenta controlá-la.

Manipulá-la.

Desmoralizá-la.

Sua necessidade de vencer torna-se mais importante do que os sentimentos da pessoa que afirma amar.

Essa é uma característica frequentemente observada em relações marcadas por traços narcisistas.

O amor não é vivido como encontro.

É vivido como conquista.

O parceiro não é percebido como um indivíduo independente.

É percebido como uma extensão da própria necessidade de validação.

Quando essa validação desaparece, surgem comportamentos controladores.

Em alguns casos, surge a humilhação.

Em outros, a agressividade.

Em outros ainda, a tentativa de destruir a imagem da pessoa que ousou dizer não.

Outro exemplo extremamente interessante pode ser encontrado em O Diabo Veste Prada.

Miranda Priestly tornou-se uma das personagens mais analisadas da cultura popular quando o assunto é liderança tóxica.

Elegante.

Inteligente.

Competente.

Brilhante.

Mas também emocionalmente distante.

Exigente em níveis extremos.

Pouco sensível ao sofrimento daqueles que trabalham ao seu redor.

O fascínio que Miranda exerce sobre as pessoas revela algo importante sobre o narcisismo.

Nem sempre indivíduos narcisistas são fracassados.

Muitos alcançam posições de grande prestígio.

Alguns se destacam justamente por sua capacidade de competir, assumir riscos e buscar reconhecimento.

O problema não está necessariamente no sucesso.

O problema surge quando o sucesso passa a justificar qualquer comportamento.

Quando a empatia é sacrificada em nome do desempenho.

Quando as pessoas deixam de ser vistas como seres humanos e passam a ser tratadas como recursos.

A saúde mental dos outros torna-se secundária.

O sofrimento alheio torna-se irrelevante.

E a admiração passa a funcionar como combustível emocional.

Infelizmente, esse padrão não está restrito ao cinema.

Ele pode ser encontrado em empresas, instituições, famílias e relacionamentos amorosos.

Talvez por isso tantas pessoas se identifiquem com personagens como Miranda.

Elas já conviveram com alguém parecido.

Talvez um chefe.

Talvez um professor.

Talvez um familiar.

Talvez um parceiro amoroso.

O mais interessante é que o narcisismo raramente se apresenta de forma idêntica.

Existem diferentes manifestações.

Algumas são grandiosas e chamativas.

Outras são discretas e silenciosas.

Alguns narcisistas dominam uma sala ao entrar.

Outros conquistam as pessoas através da aparência de fragilidade.

Alguns exigem admiração.

Outros exigem compaixão constante.

Mas todos compartilham uma característica central.

A dificuldade de enxergar o outro como alguém igualmente importante.

É justamente essa característica que transforma relacionamentos em territórios perigosos.

Porque relacionamentos saudáveis são construídos sobre reciprocidade.

Neles existe espaço para duas pessoas.

Duas histórias.

Duas necessidades.

Duas vozes.

Nas relações marcadas pelo narcisismo, porém, existe espaço principalmente para uma.

E quem ocupa o centro da narrativa exige que todos os demais personagens atuem como figurantes.

Nos próximos capítulos conheceremos os diferentes tipos de narcisismo, compreenderemos como eles surgem e aprenderemos a identificar sinais que muitas vezes passam despercebidos até mesmo por pessoas inteligentes, experientes e emocionalmente maduras.

Porque o problema nunca foi falta de inteligência.

O problema é que o narcisismo costuma se esconder atrás de personagens extremamente convincentes.

E os melhores personagens raramente revelam seu roteiro logo no início da história.