Capítulo 2
O que sustenta um relacionamento de açúcar
Relacionamentos de açúcar não se mantêm por acaso.
Eles são sustentados por estruturas emocionais bem específicas — muitas vezes invisíveis para quem está dentro da relação, mas claramente perceptíveis quando observadas com consciência.
Diferente de relações marcadas por conflitos explícitos, o relacionamento de açúcar se sustenta no silêncio, na adaptação excessiva e nos acordos que nunca foram verbalizados, mas são rigorosamente cumpridos.
Existe, quase sempre, uma troca implícita:
eu fico, desde que você não me confronte;
eu cedo, desde que você não me abandone;
eu me calo, desde que você permaneça.
Esses acordos não são combinados com palavras.
Eles são aprendidos emocionalmente.
Na clínica, é comum ouvir frases como:
“Não é tão ruim assim.”
“Poderia ser pior.”
“Pelo menos não estou sozinho.”
“Ele(a) tem defeitos, mas me dá segurança.”
O relacionamento de açúcar se sustenta porque oferece algo que a pessoa acredita não conseguir sozinha: validação, presença, estabilidade aparente ou a sensação de ser necessária. E quando a necessidade fala mais alto do que a escolha, o vínculo deixa de ser livre.
Outro pilar importante desse tipo de relação é o medo da perda.
Não necessariamente o medo de perder o outro, mas o medo de perder aquilo que o relacionamento representa:
o status de estar com alguém,
a rotina compartilhada,
a ilusão de pertencimento,
a anestesia da solidão.
Aos poucos, a relação vai sendo mantida não pelo que constrói, mas pelo que evita: evita o vazio, evita o confronto interno, evita a dor de encarar a própria carência.
E quanto mais tempo se permanece nesse padrão, mais difícil se torna sair.
Porque o relacionamento passa a funcionar como um regulador emocional: quando a pessoa se sente insegura, ela recorre ao vínculo; quando se sente vazia, se acomoda nele.
O problema é que essa sustentação não fortalece — ela enfraquece.
O relacionamento de açúcar costuma exigir concessões unilaterais. Um cede mais, espera
Há dinâmicas adoecidas. Por isso, é tão importante compreender: não se trata apenas de com quem você se relaciona, mas do lugar emocional a partir do qual você se relaciona.
Enquanto o vínculo for usado para preencher vazios internos, aliviar inseguranças ou evitar o encontro consigo mesmo, ele continuará sendo doce o suficiente para manter — e amargo o suficiente para adoecer.
Reconhecer o que sustenta um relacionamento de açúcar não é um convite à ruptura imediata.
É um convite à consciência.
Porque só quando enxergamos os verdadeiros pilares de um vínculo é que podemos decidir, com maturidade, se ainda queremos sustentá-lo — e a que custo emocional.
Autora dos livros Raio X do Casamento, Ciúme: Tempestade Interior, A Lua Foi para a Terapia e Descomplicando a Ansiedade, Suzy Mosna une conhecimento técnico, sensibilidade clínica e linguagem acessível, tornando temas complexos da psicologia claros, profundos e aplicáveis à vida real.
Seu trabalho é reconhecido por abordar os relacionamentos de forma direta, ética e transformadora, respeitando as singularidades emocionais de cada pessoa e casal.
Atende de forma online e presencial, oferecendo um espaço seguro para reflexões, mudanças e reconstruções emocionais.



