quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

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Capítulo 2

O que sustenta um relacionamento de açúcar

Relacionamentos de açúcar não se mantêm por acaso.

Eles são sustentados por estruturas emocionais bem específicas — muitas vezes invisíveis para quem está dentro da relação, mas claramente perceptíveis quando observadas com consciência.

Diferente de relações marcadas por conflitos explícitos, o relacionamento de açúcar se sustenta no silêncio, na adaptação excessiva e nos acordos que nunca foram verbalizados, mas são rigorosamente cumpridos.

Existe, quase sempre, uma troca implícita:

eu fico, desde que você não me confronte;

eu cedo, desde que você não me abandone;

eu me calo, desde que você permaneça.

Esses acordos não são combinados com palavras.

Eles são aprendidos emocionalmente.

Na clínica, é comum ouvir frases como:

“Não é tão ruim assim.”

“Poderia ser pior.”

“Pelo menos não estou sozinho.”

“Ele(a) tem defeitos, mas me dá segurança.”

O relacionamento de açúcar se sustenta porque oferece algo que a pessoa acredita não conseguir sozinha: validação, presença, estabilidade aparente ou a sensação de ser necessária. E quando a necessidade fala mais alto do que a escolha, o vínculo deixa de ser livre.

Outro pilar importante desse tipo de relação é o medo da perda.

Não necessariamente o medo de perder o outro, mas o medo de perder aquilo que o relacionamento representa:

o status de estar com alguém,

a rotina compartilhada,

a ilusão de pertencimento,

a anestesia da solidão.

Aos poucos, a relação vai sendo mantida não pelo que constrói, mas pelo que evita: evita o vazio, evita o confronto interno, evita a dor de encarar a própria carência.

E quanto mais tempo se permanece nesse padrão, mais difícil se torna sair.

Porque o relacionamento passa a funcionar como um regulador emocional: quando a pessoa se sente insegura, ela recorre ao vínculo; quando se sente vazia, se acomoda nele.

O problema é que essa sustentação não fortalece — ela enfraquece.

O relacionamento de açúcar costuma exigir concessões unilaterais. Um cede mais, espera

Há dinâmicas adoecidas. Por isso, é tão importante compreender: não se trata apenas de com quem você se relaciona, mas do lugar emocional a partir do qual você se relaciona.

Enquanto o vínculo for usado para preencher vazios internos, aliviar inseguranças ou evitar o encontro consigo mesmo, ele continuará sendo doce o suficiente para manter — e amargo o suficiente para adoecer.

Reconhecer o que sustenta um relacionamento de açúcar não é um convite à ruptura imediata.

É um convite à consciência.

Porque só quando enxergamos os verdadeiros pilares de um vínculo é que podemos decidir, com maturidade, se ainda queremos sustentá-lo — e a que custo emocional.






 Psicóloga Suzy Mosna é psicóloga, escritora e especialista em relacionamentos, com atuação focada em Terapia de Casal, relacionamentos afetivos e desenvolvimento emocional. Ao longo de sua trajetória profissional, dedica-se a ajudar casais e indivíduos a compreenderem padrões emocionais, aprimorarem a comunicação e construírem relações mais conscientes, maduras e saudáveis.

Autora dos livros Raio X do Casamento, Ciúme: Tempestade Interior, A Lua Foi para a Terapia e Descomplicando a Ansiedade, Suzy Mosna une conhecimento técnico, sensibilidade clínica e linguagem acessível, tornando temas complexos da psicologia claros, profundos e aplicáveis à vida real.

Seu trabalho é reconhecido por abordar os relacionamentos de forma direta, ética e transformadora, respeitando as singularidades emocionais de cada pessoa e casal.

Atende de forma online e presencial, oferecendo um espaço seguro para reflexões, mudanças e reconstruções emocionais.


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Psicóloga Suzy Mosna
Escritora dos livros Raio X do Casamento, Ciúme: Tempestade Interior, A Lua Foi para a Terapia e Descomplicando a Ansiedade.